Alfabeto fonético militar teve uniformização na Segunda Guerra Mundial.

Alfabeto Militar

A história do alfabeto fonético militar se confunde com a história dos primeiros alfabetos de soletração, na realidade, os segundos parecem ter a sua origem no primeiro. Os conhecedores do assunto contam que, antes da Segunda Guerra Mundial, não havia nenhum tipo de alfabeto fonético comum, para uso civil, ou seja, apenas existia o alfabeto militar. No entanto, naquela época, cada serviço, como o exército, marinha e aeronáutica, possuíam o seu próprio alfabeto fonético.

Como é de se imaginar, essa falta de padronização causava grandes problemas, em função da confusão que se fazia quando os grupos se comunicavam entre si, aliado a isso estavam os problemas de interferências e ruídos nas transmissões das mensagens. No ano de 1941, entretanto, quando os Estados Unidos entraram na guerra, os militares perceberam a urgência de se criar um alfabeto fonético militar padronizado, para que todos os grupos pudessem se comunicar com os seus aliados de maneira a se ter sucesso em seu objetivo.

Mesmo esse primeiro alfabeto militar, ainda não sendo o ideal, foi bastante útil para as comunicações militares. Entre alguns problemas deste alfabeto, estavam as dificuldades de entendimento de várias letras. Porém, depois que a Segunda Guerra Mundial terminou, os militares puderam focar a sua atenção no aperfeiçoamento do alfabeto militar.

Consolidação do alfabeto militar

Paralelo a isso, a ICAO – Organização Internacional da Aviação Comercial, que também precisava de um alfabeto fonético que suprisse a sua necessidade de comunicação para a emergente indústria aeronáutica, conseguiu criar o seu próprio alfabeto fonético. Desta forma, o alfabeto fonético que hoje é utilizado por muitos civis, mas, principalmente, pelos serviços militares, foi criado pela ICAO e, posteriormente, adaptado pela ITU – Organização Internacional das Telecomunicações  –, responsável pelas regulamentações internacionais das Radiocomunicações.

Desde a sua criação e consolidação, portanto, esse alfabeto tem sido usado em inúmeras ocasiões e se constitui como uma ferramenta imprescindível para o sucesso das transmissões militares e civis da atualidade. Para se ter uma ideia de sua importância, é válido ressaltar que mesmo as comunicações feitas em FM – Frequência Modulada –, em que a qualidade de áudio costuma ser bastante superior às demais, o uso do alfabeto fonético se faz necessário para uma melhor compreensão das transmissões de mensagens.

Como funciona o alfabeto fonético militar

O funcionamento do alfabeto fonético, entretanto, é bastante simples, uma vez que se baseia em palavras que se referem a cada letra do alfabeto. Assim, na hora da transmissão, ao invés do responsável falar uma letra, ele diz a palavra que é atribuída à letra. O difícil apenas foi encontrar as melhores palavras a serem utilizadas, pois elas não podem ter sons semelhantes para que não confundam o receptor da mensagem.

O alfabeto fonético militar é também o que se chama de alfabeto radiotelefônico ou de soletração. Além disso, as palavras que ele utiliza são praticamente as mesmas do alfabeto fonético da OTAN que, atualmente, é o mais utilizado ente todos os alfabetos de soletração.

No entanto, os números do alfabeto militar são ditos em inglês, sendo que alguns dos sons dos números possuem semelhanças que podem confundir, por isso, existe a necessidade de escolher maneiras que eliminem a ambiguidade. Um exemplo bastante claro é em relação aos números 5 e 9, que em inglês são “five” e “nine”. Assim, no alfabeto militar, o 9 recebeu uma variação, sendo pronunciado “niner”. O mesmo também ocorre com algumas letras, como o “m” e o “n”. Por isso, para o “m” se tem a palavra “mike” e para o “n” a palavra “november”.

Para os números, o alfabeto dá uma sequencia de palavras, cuja pronunciação é a seguinte: 1 – wun, 2 – too, 3 – tree, 4 – fower, 5 – fife, 6 – six, 7 – seven, 8 – ait, 9 – niner e 0 – zero.

Quando usar o alfabeto fonético

Apesar de ter sua origem nos serviços militares e, ainda hoje, continuar sendo de uso normal das forças armadas, nada impede que qualquer pessoa faça uso do alfabeto fonético quando achar necessário. Assim como um telegrama, o alfabeto de soletração vai ser útil quando alguém precisa enviar uma mensagem curta, já que não se soletram as letras, mas sim as palavras. Numa conversa normal por telefone, o uso deste alfabeto pode ser totalmente inútil. Porém, em um pedido de socorro, por exemplo, pode salvar vidas.

Alfabeto Fonético