Alfabeto fonético aeronáutico deu origem a demais alfabetos radiotelefônicos.

Alfabeto Fonético Aviação

Para facilitar a transmissão de informações por rádio ou telefone, os serviços militares criaram os alfabetos de soletração, também conhecidos pelo nome de alfabeto radiotelefônico. Com os problemas de interferência, ruídos e a própria dificuldade de se fazer entender, devido à semelhança que algumas palavras possuem entre si, apesar de pertencerem ao mesmo idioma, mesmo antes da Segunda Guerra Mundial, os militares já faziam uso do alfabeto radiotelefônico.

Entretanto, somente durante a Segunda Guerra Mundial surgiu a necessidade de uniformizar os diferentes alfabetos, uma vez que, até então, existiam vários, um para a aeronáutica, outro para a marinha e outro para o exército. Alguns avanços foram conquistados, mas somente após o conflito é que os militares começaram a se preocupar mais em criar um alfabeto de soletração realmente eficiente.

ICAO desenvolve alfabeto radiotelefônico

Nesta época, a ICAO – Organização Internacional da Aviação Comercial –, denominada ainda por Organização da Aviação Civil Internacional, também estava desenvolvendo um alfabeto para facilitar a comunicação, conseguindo criar um que fosse utilizado por diferentes grupos. Esse alfabeto foi criado, principalmente, devido à necessidade que se tinha e, hoje em dia, ainda se tem, de transmitir por via oral diversas informações, inclusive, números ou termos que devem ser compreendidos à risca, apesar das dificuldades e ambiguidades dos idiomas.

Para se ter uma noção dessa ambiguidade, é possível dizer, por exemplo, que na língua inglesa, o número zero e a letra “o” podem ser confundidos devido à terminação no som de ambas, que finalizam com "ou". Já no espanhol, as letras “v” e “b” possuem a mesma pronunciação. Mesmo a língua portuguesa está cheia de sons semelhantes, como os números "sessenta e sete" e "setenta e sete". Em geral, nos serviços militares, qualquer erro de entendimento, por mais banal que possa parecer, pode levar a consequências desastrosas.

Organizações que adotam o alfabeto radiotelefônico

Após a ICAO desenvolver o seu alfabeto fonético aeronáutico, ele foi adotado por diferentes organizações internacionais, entre elas, a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte –, que tem o seu alfabeto fonético OTAN, a OMI – Organização Marítima Internacional –, a UIT – União Internacional de Telecomunicações –, o ANSI – American National Standards Institute – e a FAA – Federal Aviation Administration.

Apesar de ter adotado o alfabeto fonético aeronáutico, a OTAN é conhecida por ter o seu próprio alfabeto fonético OTAN, o qual é tido como o mais utilizado em todo o mundo. Isso porque, ao contrário de outras agências, ela usa as palavras numéricas no padrão inglês, como zero, one, apesar de existirem pronúncias alternativas. Já a OMI, por exemplo, segue outro padrão, de palavras compostas, como Nadazero, Unaone, etc, o que provoca confusões entre os interlocutores quando são de diferentes nacionalidades.

Além disso, apesar de desenvolver uma nova ferramenta, a ICAO se baseou no antigo Código internacional de sinais ou Código Q. Esse, por sua vez, abrangia o uso de diferentes sinais luminosos visuais e bandeiras, bem como sinais sonoros por meio de sirenes, apitos, sinos e buzinas. Porém, também fazia uso de alguns códigos e letras para formar frases.

Código fonético internacional

Com o avanço da tecnologia, o Código internacional de sinais recebeu uma nova versão, o código fonético internacional, que foi aprovado em 1959. Junto com o código Q, o código fonético internacional tem a função de simplificar a comunicação entre transmissor e receptor, dando maior fluidez ao entendimento das informações que são passadas entre operadores de radiocomunicação, independente do idioma que eles tiverem conhecimento.

Os mesmos profissionais também costumam usar o Código Morse, que para ser utilizado basta substituir as informações por um conjunto de três letras, sempre iniciadas pela letra “Q”. Caso a frase seja negativa, a seguir ao “Q” coloca-se a letra “N” e se for afirmativo, surge a letra “C”.

O Código Q e o código fonético internacional ainda costumam ser usados por radioamadores de várias partes do mundo, para trocar mensagens, seja a curta distância ou a longa distância. Também fazem uso desses sistemas de comunicação os serviços militares e civis, além de empresas de comunicações e profissionais que usam a radiocomunicação para a transmissão de informações.

Alfabeto Fonético